E Prometheus fica só na promessa

Damon Lindelof hoje é o pior roteirista na ativa em Hollywood.

Depois da bobagem sem precendentes que ele aprontou em Cowboys & Aliens, Lindelof conseguiu de novo, fez o que na minha opinião parecia impossível: estragou Prometheus.

Esse cara é um farsante.

O trabalho de Lindelof e Jon Spaihts com o roteiro de Prometheus é pífio, para dizer o mínimo.

*** Atenção a partir daqui eu darei spoilers do filme. Portanto se você ainda não assistiu pare a leitura nesse ponto (ou então não perca o seu tempo e dinheiro assistindo Prometheus nos cinemas) ***

Acredite, Prometheus não vale o preço do ingresso e a culpa é quase exclusiva do roteiro.

O sucesso parecia certo: retorno de Ridley Scott ao gênero ficção científica justamente com um filme relacionado a franquia Alien, realizado com orçamento de super produção e ótimo elenco.

Não poderiam errar, certo? Infelizmente as coisas não saíram como previsto.

O filme é apenas uma sequência de clichês, furos de roteiro, diálogos infantis e situações previsíveis que beiram o ridículo.

Estão presentes referências claras e homenagens a filmes como 2001, Alien (mais de um), Blade Runner e até mesmo a Contato. 

Mas o roteiro infantilóide de Lindelof e Jon Spaihts consegue no máximo criar um conjunto de situações tolas e previsíveis. E o que é ainda pior, apesar de óbvias em vários momentos, elas não fornecem nenhuma resposta satisfatória. 

Não existe tensão dramática nesse filme, você não consegue torcer contra ou a favor de nenhum dos personagens. A trama é superficial e tudo se resolve muito rapidamente e de forma simples.

A forma como os cientistas são representados nesse filme não passa de uma caricatura. 

Uma viagem de exploração científica que custou um trilhão de dólares e leva um grupo de cientistas até uma lua de um sistema solar distante, possivelmente habitada por uma civilização alienígena responsável pela criação da vida no planeta Terra, é praticamente retratada como uma excursão qualquer a um parque temático.

Até quando a narrativa nos conduz a situações potencialmente interessantes do ponto de vista filosófico, o roteiro não consegue desenvolver o tema de forma satisfatória. Fica-se com a impressão de que os roteiristas nem mesmo perceberam que isso aconteceu.

Para não dizer que o filme é um fiasco completo existem as excelentes atuações de Noomi Rapace, Guy Pearce e Michael Fassbender, esse último praticamente perfeito na papel do andróide David.

Mas o personagem de Guy Pearce é completamente desperdiçado com uma série de diálogos superficiais e situações clichê. Em plena era de ouro da CG os produtores de Prometheus preferiram aplicar uma pesada maquiagem de látex para Pearce parecer idoso, no entanto esqueceram de fazer uma caracterização adequada nos dentes sadios do ator para que eles não destoassem demais da pele enrugada artificial.

Mas a participação de Charlize Theron consegue ser ainda mais constrangedora, não por culta da boa atuação da atriz. Novamente por responsabilidade do péssimo roteiro. 

A certa altura você chega a pensar que Charlize Theron é a “nova” Ripley nesse Prometheus, mas na sequência fica claro que esse papel foi destinado a personagem de Noomi Rapace.

O problema é que a boa surpresa é eclipsada pelo final clichê (novamente) dado a personagem de Charlize.

E por falar em final, nossa, o desfecho dado a Prometheus não poderia ser mais “sessão da tarde”.

O filme é visualmente impactante e tem a direção competente de Ridley Scott.

Os vídeos virais produzidos para Prometheus conseguem ser melhores e mais interessantes que o próprio filme.

“Big things have small beginnings”
Prometheus - HD Trailer