Mobilidade nas estratégias de negócios e o futuro da indústria de TI

O paradigma da computação pessoal já migrou para a mobilidade, agora o fenômeno está assumindo velocidade de cruzeiro no ambiente empresarial, para o desespero ou incredulidade de muitos. BYOD é apenas uma das faces desse fenômeno, algo que já pode ser percebido e mensurado de maneira óbvia e inequívoca.

Muitas das atividades dos profissionais de TI dentro das corporações estão com os dias contados e a governança de TI sofrerá profunda transformação provocando também impacto nos negócios dos tradicionais players do setor que hoje atuam com serviços, consultoria e fornecimento de ferramentas (hardware e software) corporativas.

Parte do que eles oferecem e grande parte da infra de TI nas empresas será totalmente dispensável em um futuro próximo, dispendiosa demais para ser mantida. Essa infra própria será substituída por contratos na forma de serviços sob demanda.

Serviços de computação em nuvem já não são tendência, já são uma realidade cada vez mais presente. Olhe a sua volta e perceberá.

Com o passar do tempo existirão alguns poucos prestadores globais de cloud realmente grandes e uma variedade de serviços, soluções interessantes e especializadas sendo comercializadas e oferecidas por empresas menores que farão uso dos recursos disponíveis em massivos datacenters.

Muitos desses serviços servirão para viabilizar o paradigma de computação baseada em mobilidade.

Assim como a Internet e as redes locais, a interface gráfica e o PC antes dela, a adoção do paradigma da computação baseada em mobilidade é um movimento irreversível.

As apps em dispositivos móveis, à despeito do que muita gente ainda acredita, não serão simples versões lite de sistemas mais complexos que continuarão executando nos PCs ou em outras plataformas de desktop. No momento elas podem até se parecer um pouco com isso, como também pareciam os aplicativos de PC na década de 1980, mas com o passar do tempo ficará cada vez mais aparente que elas estão evoluindo em sofisticação e capacidade.

Essas apps se tornarão ainda mais amigáveis, inteligentes (porque dispositivos móveis dispõem de sensores, diversos sensores) e convenientes para uso em cenários diversificados, muito mais do que qualquer aplicativo de PC jamais conseguiu ser. Os usuários não conseguirão compreender como era possível conviver com aquelas aplicações “burras”, complexas e tão pouco intimistas de passado.

Ainda existirá alguma resistência nesse processo por parte daqueles que não compreenderam a mudança ou que não percebem as inúmeras oportunidades que se descortinam.

Muitos se limitarão a migrar aplicativos de PC para dispositivos móveis oferecendo experiência semelhante adicionada de alguns elementos de interface adaptados ao mobile (vejam os tablets e smartphones atuais com Android). Outros tentarão promover uma releitura do PC, contaminada com os paradigmas anteriores (por exemplo é o caso da Microsoft com o Surface, o mobile que reluta em deixar de ser PC).

Fabricantes como a Intel também estarão relutantes em abraçar a mobilidade como algo verdadeiramente novo e insistirão em adaptar os produtos existentes.

Aqueles que resistirem perderão dinheiro e mercado nessa luta, mas logo estarão aprendendo com empresas mais criativas, como a Apple e algumas start-ups. E serão forçados a adotar abordagens mais eficientes, como a dos processadores baseados na arquitetura ARM.

Quem não se adaptar à essas mudanças à tempo, está com os dias contados. Simples assim.

O Google acredita que o futuro da interface com o usuário são cartõezinhos virtuais

Cartões no Google Now, cartões no Google Glass.

O Google parece acreditar que é uma boa idéia reduzir a sua interação com os produtos e serviços deles à cartõezinhos virtuais.

Eles bisbilhotam tudo o que você faz para tentar prever o que você vai fazer em seguida e exibem isso na forma de cartões.

Trata-se de uma idéia reducionista, por isso estúpida e também perigosa na minha modesta opinião.

Refletindo um pouco, acho que a Apple deveria considerar seriamente a aquisição de mais start-ups.

Não tanto pela tecnologia em si, mas pelo choque de sangue que isso traria. É algo que serviria para por em xeque, de um forma saudável, os valores e o que realmente importa lá pelas bandas de Cupertino.

É curioso ver que as mesmas pessoas que ativaram pedras na Microsoft até recentemente, criticando a corrida do GHz e a obsolescência artificial de computadores promovida pelo Windows, hoje estão defendendo exatamente isso ao celebrar a irracionalidade de um modelo de promoção e venda de dispositivos móveis puramente baseado em especificações técnicas, que quase sempre não significam nada.

Dá para perceber isso hoje como um fenômeno construído pela indústria basicamente em torno do Android.

As pessoas estão sendo vítimas de uma estratégia de marketing vazia e anacrônica.

O que é mais importante pra você: achar que está usando a tecnologia mais recente de hardware, ou usar algo que funciona e que facilita de verdade a sua vida?

Ponha lado a lado um Galaxy S3 e o iPhone 5, e se você for realmente perspicaz vai perceber que eles seguem caminhos completamente diferentes.

Em dois anos, sem acesso privilegiado aos projetos da Apple, essa diferença se tornará óbvia para qualquer um.

Tecnologias para prestar atenção em 2013

Muita gente ainda pensa que a Apple precisa lançar uma categoria nova de produto a cada keynote.

Não é necessário. O que realmente importa para uma empresa líder é ampliar a capacidade de suas linhas de produtos permitindo que as pessoas façam mais, melhor e de forma cada vez mais simples e divertida.

Lançar produtos meramente exóticos é coisa a ser deixada para os desafiantes.

Como são as coisas, o “grande” lançamento da Microsoft (Surface) se parece tanto com um produto ‘indie’, enquanto o iPad da Apple hoje vende mais do que qualquer PC.

Bem-vindo a 2012!

Jobs compartilhou com o mundo a sua visão. Demonstrou que nós não precisamos entender de tecnologia para nos utilizarmos dela. Criou a tecnologia “invisível”, intuitiva, segura, sólida e absolutamente funcional. Diz-se que “inventou” necessidades que não tínhamos. Divirjo. Evidenciou e supriu necessidades que não conseguíamos imaginar ser possível serem atendidas. — Luiz Miranda